terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Beyond

Dream,
Beyond dreams
Beyond life you will find your song
Before sound, to be found close your eyes
And rise higher, still endless thrill
To the land of love
Beyond love
Come alive,
Angel eye
Forever watching you and I
You are the night, you are the ocean
You are the light behind the cloud
You are the end and the beginning
A world where time is not allowed
There's no such thing as competition
To find our way we lose control
Remember – love's our only mission
This is the journey of the soul
The perfect song is framed with silence
It speaks of places never seen
Your home's a promise long forgotten
It is the birthplace of your dreams

terça-feira, 3 de outubro de 2017

As contradições do corpo

Meu corpo não é meu corpo,
é ilusão de outro ser.
Sabe a arte de esconder-me
e é de tal modo sagaz
que a mim de mim ele oculta.
Meu corpo, não meu agente,
meu envelope selado,
meu revólver de assustar,
tornou-se meu carcereiro,
me sabe mais que me sei.
Meu corpo apaga a lembrança
que eu tinha de minha mente,
inocula-me seu patos,
me ataca, fere e condena
por crimes não cometidos.
O seu ardil mais diabólico
está em fazer-se doente.
Joga-me o peso dos males
que tece a cada instante
e me passa em revulsão.
Meu corpo inventou a dor
a fim de torná-la interna,
integrante do meu Id,
ofuscadora da luz
que aí tentava espalhar-se.
Outras vezes se diverte
sem que eu saiba ou que deseje,
e nesse prazer maligno,
que suas células impregna,
do meu mutismo escarnece.
Meu corpo ordena que eu saia
em busca do que não quero,
e me nega, ao se afirmar
como o senhor do meu Eu
convertido em cão servil.
Meu prazer mais refinado,
não sou eu quem vai senti-lo.
É ele, por mim, rapace
e dá mastigados restos
à minha fome absoluta.
Se tento dele afastar-me,
por abstração ignorá-lo,
volta a mim, com todo o peso
de sua carne poluída,
seu tédio, seu desconforto.
Quero romper com meu corpo,
quero enfrentá-lo, acusá-lo,
por abolir minha essência,
mas ele sequer me escuta
e vai pelo rumo oposto.
Já premido por seu pulso
de inquebrantável rigor,
não sou mais quem dantes era:
com volúpia dirigida,
saio a bailar com meu corpo.

(Carlos Drummond de Andrade)

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

First Love

Menino
que andas a fazer
nestes dias de chuva?
Estavas tu, por acaso
A desfrutar outros diálogos
intercalados com o lambuzar
de flúidos
de outros corpos?
Hm!
Saibas, pois
quero que todos saibam
que já me encontro de volta
à casa onde
em uma tarde quente
de ti despedi-me
E onde agora
sob a luz pálida do céu nublado
Preparo o nosso re(vi)ver
Reencontro
Para saltarmos ao mergulho infinito
de saber
quem és tu.


Giulliany
janeiro de 2017