Acordei suado. No sonho eu possuía aquela no meio da escola, no meio da aula, havia um colchão entre as carteiras e ninguém olhava quando meus olhos fitaram o corpo suado… e no êxtase quando devíamos gritar nada aconteceu, e levantei e olhei os olhos da professora lá na frente, eles eram verdes e eu não conhecia aquele rosto, e nem aquela escola, e quando pensei no que tinha feito, e vi o colchão úmido e minhas mãos tremulas ainda e olhei aqueles seios nús entre a sala, na loucura senti-me grávido de uma pedra e acordei suado…
Acendi a luz, as três da manha, aquele alívio enternecido de dúvida, aquela realidade fria proliferando no corpo, dizendo: foi irreal. Passei as mãos pelo meu corpo úmido e fui ao banheiro, o banheiro me refrescava a mente, sentar lá e me livrar da abstinência de vida que me incomodava, era como se volvesse da janela fechada um ar incomodo, mas fresco, como uma coceira bem coçada..
Ai, há trinta minutos tentando dormir novamente e nada… Aquele sonho voltando a mente, uma mente impreguinada de sexo com aquela mulher/menina que eu sequer sabia realmente quem era, que eu nunca tinha visto mas conhecia lá dentro de alguma forma, dentro dela, do calor… ah, a cama coçava, a cama esquentava, e eu não consigo dormir, quero gritar, ouvir o som alto de uma distorção picante, como uma guitarra grunhindo a música que me faz esquecer que estou vivo.
agora eu ligo a Tv e vejo qualquer pornografia, vejo qualquer escatológica coisa as três e tantas da manhã, nenhum livro vai me segurar, e não quero fazer nada, quero dormir mas não posso, então vejo pornografia nojenta, de trinta anos atrás, com outros cabelos, com outros seios que estão mortos ou secos hoje, só consigo pensar nisso, nos seios secos, nos vermes, consumindo a carne, nada mais povoa a minha cabeça e tenho que desligar a merda…
á se essa cama fosse sonífero, eu estaria agora entre as flores, madressilvas perfumadas…
Contentei-me no final das contas em comer e desenhar uma espada numa folha de caderno, e nada parecia-me mais normal naquele instante do que pensar em como eu acharia estranho ver alguém fazendo isso… mas o que fazer? tornei-me essa anomalia dentro de mim mesmo, e isso me leva a uma intensa conflitagem interna que realmente não gosto de encarar, sou um asco e não quero ver isso, quem é?
queria mesmo era morrer do meu próprio vômito, como se isso me trouxesse glória, morreria sonhando uma fluorescente viagem por entre o caos e morreria sem dor… Mas tenho medo disso, tenho medo de morrer e ficar perdido no sono eterno, talvez toda a eternidade naquela sala de aula, com aquele sexo, com aqueles alunos indiferentes escrevendo nos cadernos enquanto eu me esganiçava e extorquia prazer daquele tronco de carne libidinoso…
o que me faz ficar assim? Pergunto isso pra mim mesmo, acho que preciso de uma mulher, mas tenho nojo de comprá-las e tenho medo de enfrentá-las: como o sono se vinga do meu medo, também tenho medo de dormir. Tenho medo de me drogar pois tenho medo de mim e tenho medo de morrer pois não sei pra onde vou.
Quando estou na rua e vejo menininhas quero tê-las, mas só em sonho, queria sonhá-las num éden carnívoro! a magnitude disso é impensável, nesse mundo elas não seriam seres humanos de verdade, e isso convém imaginar, pra que não tenham asco de mim, penso que elas seriam apenas pedaçinhos de prazer eternamente jovens, sem mães nem avós, algo que seria totalmente desprazeroso… Tenho pouca liberdade dentro de mim, não consigo nem ao menos formular metade dessa glória.
Nessa casa bela, que seria minha terra prometida, a água seria vermelha, pois a transparência me faz ter desprezo, o vermelho é mais consistente e como sou vermelho por dentro, me banharia de cor rubra, faria todo o sentido, e também seria vermelho o céu, porque já que vivo nesta célula gigante, que ela seja um reflexo de mim.
Acorde, digo pra mim mesmo mas é difícil, porque não sei bem se estou dormindo agora, mesmo me estapeando só consigo sentir dor e não há nada de real em sentir dor, minha fortuna fantástica é ter o poder de me molhar, só me sinto bem quando me molho, soube disso quando em meio de uma brincadeira quando criança, daquelas de meninos, tive uma coceira inexplicável, veio de algum lugar perto do meu pênis e subiu por meu peito e logo estava nas têmporas, e corri, e me debati como se houvessem formigas dentro de mim, mas somente me senti livre quando toquei meu corpo no úmido, me deitei no chão do banheiro, meu corpo de criança coube bem deitado dentro do Box, e me lembro bem daquela água morna caindo forte no meu corpo branco e jovem, acho que este dia foi meu primeiro sexo, foi quando perdi minha virgindade, pois mulheres são apenas instrumentos para isso; senão eu não poderia comprar esse trunfo.
É difícil me pensar sendo mim mesmo, é difícil ser eu, pois eu sinto que vejo algo além, por mais que cego que seja, eu sinto esta libido interna, minhas viceras se possuem mutuamente, se contorcem de êxtase, e eu sofro com isso.
Sou sujo, sujo por dentro e por fora, e além dessas dimensões também, somente a chuva me transborda, ela enche todo o meu ruim, faz ele, que é mais leve que a água, subir e vazar do meu corpo, e quando chove, sou como uma tempestade, sou um raio e grito como o trovão, eu saio e grito na rua, e me sinto limpo, me sinto leve, me sinto capaz de viver, me sinto capaz de ter algo que senão essa lucidez uniforme e precária e me sinto como que levado pra um dimensão onde a vida não seja o pesar… Mas nem isso pode ser perfeito, se a chuva fosse vermelha, eu poderia morrer em paz.
sexta-feira, 3 de junho de 2011
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