segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Correspondências

A natureza é um templo onde vivos pilares
Deixam sair às vezes palavras confusas.
Por florestas de símbolos, lá o homem cruza
Observado por olhos ali familiares.
Tal longos ecos longes onde lá se confundem
Dentro da tenebrosa e profunda unidade
Imensa como a noite e como a claridade
Os perfumes, as cores e os sons se transfundem.
Perfumes de frescor tal a carne de infantes,
Doces como o oboé, verdes igual ao prado.
_Mais outros, corrompidos, ricos, triunfantes.
Possuindo a expansão de um algo incabado
Tal como o âmbar, almiscar, benjoim e incenso
Que cantam o enlevar dos sentidos e o senso.

Charles Baudelaire

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